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ETFs e Gestão Ativa: Como Combinar Eficiência, Diversificação e Geração de Retorno

28 de ago.
5 min de leitura

Gráfico de ETF com velas e linhas coloridas, lupa sobre ETF e Exchange Traded Fund, sugerindo análise financeira.
Foto: ImageFX

Quando pensamos em gestão de investimentos, é comum imaginar duas alternativas opostas.

  • De um lado, a gestão ativa, em que profissionais analisam empresas, mercados e cenários em busca de oportunidades capazes de superar determinado índice de referência.

  • Do outro, a gestão passiva, cujo objetivo é acompanhar o desempenho de um mercado ou índice, normalmente com custos menores e maior simplicidade.

Mas será que o investidor precisa necessariamente escolher entre uma e outra?

Na prática, não. Uma carteira bem construída pode combinar as duas abordagens. Mais importante do que decidir entre gestão ativa ou passiva é entender onde vale a pena buscar retornos superiores ao mercado e onde pode ser mais eficiente obter uma exposição ampla e diversificada por meio de um índice.

É justamente nessa combinação que os ETFs podem assumir um papel importante.


Primeiro: o que é um ETF?

ETF é a sigla para Exchange Traded Fund. Em termos simples, é um fundo negociado em bolsa de maneira semelhante a uma ação.

Em vez de comprar individualmente dezenas ou centenas de ativos, o investidor pode, por meio de uma única operação, adquirir participação em uma carteira inteira.

Um ETF que acompanhe um índice amplo de ações, por exemplo, permite exposição às empresas que compõem aquele índice sem que seja necessário comprar cada ação separadamente.

Diversificação, facilidade de negociação e acesso a uma cesta de ativos estão justamente entre as principais características destacadas pela B3 para esse tipo de instrumento.

Mas há aqui uma distinção importante: ETF não é necessariamente sinônimo de gestão passiva. ETF é o veículo de investimento. A estratégia existente dentro dele é outra questão.

Grande parte dos ETFs que conhecemos procura simplesmente acompanhar um índice. Nesse caso, temos um ETF utilizando uma estratégia passiva.

Mas também existem, especialmente nos mercados internacionais, ETFs de gestão ativa, nos quais gestores selecionam e alteram os investimentos da carteira de acordo com determinada estratégia. Tanto fundos tradicionais quanto ETFs podem, portanto, seguir estratégias ativas ou passivas.

Essa diferença, embora pareça técnica, ajuda a entender um princípio bastante simples: uma coisa é o produto utilizado para investir; outra é a estratégia de investimento.


Se existem bons gestores, por que a gestão passiva cresceu tanto?

Porque superar consistentemente o mercado é difícil.Uma das principais referências internacionais para acompanhar essa questão é o SPIVA, acrônimo para S&P Indices Versus Active.

Produzido pela S&P Dow Jones Indices, o estudo compara o desempenho dos fundos de gestão ativa com os índices de referência correspondentes a cada categoria de investimento.

Em outras palavras, procura responder a uma pergunta muito objetiva: quantos gestores ativos conseguem, de fato, superar o mercado que deveriam superar?

A metodologia também leva em consideração um problema importante nesse tipo de comparação: o chamado viés de sobrevivência.

Imagine analisar hoje apenas os fundos que continuam funcionando e esquecer aqueles que tiveram desempenho ruim e acabaram sendo fechados ou incorporados a outros fundos. O resultado poderia parecer melhor do que realmente foi.

O SPIVA considera também esse efeito, permitindo uma visão mais abrangente do desempenho da gestão ativa ao longo do tempo.

E os números brasileiros são interessantes.

No período de dez anos encerrado em 2025, 90,8% dos fundos ativos da categoria de ações Brasil ficaram abaixo de seus respectivos benchmarks.

Entre os fundos que investem em grandes empresas, o percentual foi de 80,5%. Nos fundos concentrados em empresas médias e pequenas, 84,9% ficaram abaixo de seus índices de referência.

É um resultado bastante expressivo. Mas ele não significa que a gestão ativa não funciona. Significa algo mais sutil e, provavelmente, mais importante para o investidor: “selecionar antecipadamente os gestores capazes de superar consistentemente o mercado é muito mais difícil do que parece. Então devemos simplesmente investir de forma passiva?”. Também não. E o próprio SPIVA ajuda a demonstrar por quê.

Quando observamos somente o ano de 2025, encontramos uma fotografia muito diferente.

Entre os fundos brasileiros que investem em grandes empresas, apenas 35,6% ficaram abaixo do benchmark. Isso significa que, naquele ano, quase dois terços dos fundos dessa categoria conseguiram superar seu índice de referência.

O contraste é interessante.

Em dez anos, a grande maioria ficou para trás. Em um período específico, muitos gestores conseguiram entregar desempenho superior.

A conclusão, portanto, não precisa ser que uma estratégia seja boa e a outra ruim.

Existem períodos, mercados e classes de ativos nos quais a gestão ativa encontra melhores condições para gerar valor. O desafio é identificar previamente onde essas oportunidades estarão — e quem conseguirá capturá-las.

É por isso que talvez a pergunta mais útil não seja: "Gestão ativa ou gestão passiva?”

Mas sim: “Onde faz sentido buscar retorno adicional e onde é mais eficiente simplesmente acompanhar o mercado?”

É aqui que entram alpha e beta

Dois termos muito utilizados no mercado financeiro ajudam a explicar essa escolha:

  • Beta pode ser entendido, de maneira simplificada, como o retorno relacionado à exposição ao próprio mercado.

  • Alpha é o retorno adicional que um gestor procura gerar por meio de suas decisões de investimento.

A gestão ativa procura gerar alpha. Uma estratégia passiva busca capturar o beta de maneira eficiente. E uma carteira pode perfeitamente utilizar os dois.

Os ETFs podem funcionar como blocos de construção para determinadas exposições — ações brasileiras, mercados internacionais, renda fixa ou setores específicos, por exemplo.

Em outras partes da carteira, fundos ou estratégias ativas podem fazer sentido quando existem razões consistentes para acreditar que análise, especialização ou características daquele mercado podem acrescentar valor.

Gestão ativa e passiva, portanto, não precisam competir. Podem ser complementares.


Diversificar não significa apenas comprar mais produtos

A expansão dos ETFs também facilitou enormemente o acesso a diferentes mercados.

Hoje, um investidor pode encontrar instrumentos ligados a ações brasileiras, mercados internacionais, renda fixa, setores da economia e diferentes estratégias.

Isso permite construir exposições que, no passado, poderiam exigir diversas operações individuais.

Mas existe uma armadilha. Ter muitos produtos não significa necessariamente possuir uma carteira diversificada.

Dois ETFs diferentes podem investir em empresas semelhantes. Dois fundos podem reagir da mesma maneira a uma alta dos juros. Ativos negociados em países diferentes podem estar expostos ao mesmo risco econômico.

A verdadeira diversificação não está na quantidade de produtos. Está na combinação dos riscos que cada investimento acrescenta ao patrimônio.


No final, ETFs e Gestão Ativa versam sobre alocação

Antes de perguntar qual fundo ou ETF comprar, talvez seja mais importante responder a três questões: (i) Qual é o objetivo desse investimento?; (ii) Que risco ele acrescenta à carteira? e; (iii) Que função ele exerce dentro do patrimônio como um todo?

É nesse ponto que a discussão entre gestão ativa e passiva encontra seu lugar correto.

Os ETFs podem oferecer uma maneira eficiente de acessar determinados mercados, enquanto estratégias ativas podem ser utilizadas onde houver fundamentos para acreditar que seleção, conhecimento ou alguma ineficiência possam gerar valor adicional. Não é necessário eleger um vencedor. Uma carteira pode utilizar ambos.

Beta eficiente onde uma exposição ampla ao mercado cumpre bem seu papel. Alpha onde existirem razões consistentes para buscá-lo. E diversificação para que nenhuma decisão isolada determine o resultado do patrimônio.

No final, o ETF não substitui a construção e o acompanhamento de um portfólio. Ele é uma das ferramentas que podem torná-lo mais eficiente, diversificado e adequado aos objetivos de cada investidor.

Mas diversificar não significa apenas possuir diferentes ativos. Uma carteira pode conter dezenas de investimentos e continuar excessivamente dependente de uma única economia.

É justamente essa discussão que abordaremos na segunda parte desta série: quando a diversificação internacional pode ser importante para a construção de um portfólio.

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